domingo, 2 de abril de 2017

Anos 80 - Uma declaração de amor!


Tá ok. Eu entendo. Mas esse blog não era focado em política e polêmicas?
Bom, na verdade não. Desde a concepção desse blog, a ideia sempre foi a criação de um canal onde eu pudesse me expressar livremente e dar vazão a minha personalidade bem pouco simpática e bastante combativa. Afinal, continuo sendo um "revoltado" de carteirinha e isso sim, não muda.
O fato de toda a trajetória inicial do blog ter sido política era um reflexo do momento em que eu me encontrava, felizmente é um momento passado por infelizmente (contraditório não?), ter me convencido que política é uma questão vencida e insuperável por pelo menos algumas décadas. Eu particularmente tenho mais o que fazer.
Isso também não significa que eu nunca mais vá escrever sobre o assunto, provavelmente eu vá, mas esse não é mais o foco.

A DÉCADA DE OURO OU DE LIXO?

Se existe uma legião crescente de pessoas saudosas e nostálgicas pela década de 80, existe também um número significativo de pessoas que simplesmente detesta as coisas, símbolos e história dessa tão afamada época. Apesar de fazer parte do primeiro grupo e portanto "suspeito" para opinar, não sou um fã cego que acha que tudo daquela época eram flores e tudo se transformou em lixo. Existem sim coisas maravilhosas que se tornaram até então simplesmente insuperáveis, mas tudo aquilo tinha um pano de fundo, uma realidade ignorada pela maioria absoluta na época e esquecida hoje. Foi sim, ao menos para mim e muitos outros, a melhor de todas as décadas da humanidade, mas não, não foi de forma alguma perfeita.

A ERA DOS EXTREMOS.

Pretendo dedicar uma postagem ao cenário mundial predominante na década de 80. Cenário esse que, ao passo que motivou o surgimento de tantas características apaixonantes que perduram até hoje, também é o responsável pela decadência subsequente que parece não ter data para terminar. Sem esse cenário, não teria existido tal década como foi, mas também provavelmente não estaríamos tão no fundo do poço como humanidade como estamos hoje. Mas isso fica pra próxima.

A década de 80 não foi a pioneira na cultura do desafio e do enfrentamento do status quo da sociedade da época. Na verdade foi a vez da geração de filhos dos verdadeiros pioneiros da rebeldia, a geração dos anos 60.

Foi uma década marcada pela rebeldia e também pelo surgimento do exclusivismo e da valorização exagerada do individualismo. O mundo se dividia em tribos fortemente delimitadas e que raramente se misturavam, Ser descolado ou arrojado demandava ousadia, pioneirismo em atitudes e principalmente em visual. Isso praticamente apagou a linha do bom senso e criou ao mesmo tempo os casos de combinações de roupas e cabelos únicos, lindos e marcantes, assim como aberrações tão grotescas que fazem muita gente até hoje esconder suas próprias fotografias da época.
SENTIMENTOS À FLOR DA PELE

Os motivos para tal, eram inúmeros e não vem ao caso para essa postagem, mas o fato é que nossa sociedade viveu na década de 80 o ápice de sentimentos à flor da pele, do amor ao ódio, do conformismo à revolta pura, da promiscuidade ao puritanismo, todas as pontas tencionadas ao máximo. Isso se refletiu em todos os campos, mas em especial na arte, impulsionado pela popularização do cinema e da televisão. E todo esse extremismo sustentado pelo crescimento e consolidação do capitalismo selvagem, colocou as pessoas, em especial os jovens, ávidos por consumir tudo o que servisse de sustentação à tantos sentimentos prontos a transbordar, o mercado da música resultante explodiu juntamente com o cinema e a televisão.
Aqui particularmente é onde reside praticamente toda a minha paixão e o amor aos anos 80, a música e o cinema. Por mais que eu procure por música ou filmes na atualidade, nada consegue despertar em mim a cascata de sentimentos que os exemplares "oitenteiros" conseguem. Músicas e personagens ousados que inspiravam e ainda são capazes de inspirar milhares pelo mundo, trilhas sonoras para qualquer momento ou de histórias de vidas completas, sem deixar passar um único grama ou milímetro de sentimento, seja ele bom ou ruim.

A DÉCADA DO SONHAR

Os mais incríveis e mirabolantes sonhos norteavam a vida da sociedade nessa época. Sonhava-se com a liberdade, com a evolução pessoal e também da humanidade. As pessoas acreditavam verdadeiramente em uma nova era, em uma humanidade grande e justa. Os românticos acreditavam no grande amor aos moldes hollywoodiano e não faltavam músicas para dar o tom às noites em que se contemplava os céus ou o teto do quarto imaginando obras primas do romance. Os idealistas acreditavam mesmo que o mundo poderia dar certo, que a África poderia ser salva, que todos teriam chances e direitos iguais, que os sonhos poderiam de fato virar realidade, bastava lutar por sua realização. Os racionais acreditavam na medicina universal, na cura de todas as doenças, na colonização do espaço, no contato com vida inteligente de fora do planeta, caso ela existisse de fato, que a tecnologia nos salvaria. As crianças podiam ser só crianças (não todas, é verdade), pois não havia pressa alguma em crescer e todo tempo do mundo para brincar, imaginar e sonhar, sem que ninguém dedicasse cada minuto do seu dia para destruir sua infância e transforma-la em um adulto distorcido e infeliz.
O melhor de tudo é que não faltavam razões para acreditar em tudo isso. Tudo que víamos, ouvíamos e pensávamos pareciam deixar claro que estávamos mesmo no caminho certo e que uma era de liberdade e evolução além de qualquer idealização nos esperava logo alí à frente.
Claro, hoje sabemos que não é bem assim e alguns (como eu mesmo), percebem que tudo não passou de um grande laboratório e que esse engano custou muito caro, nos levando a uma situação desesperadora e sem muitas perspectivas de melhora. No entanto, foi justamente o fato de termos sonhado tanto e com tanta força que fez desses anos o que foram. Que nos deixou uma saudade que mal cabe no peito e que é capaz de nos render talvez uma vida inteira de nostalgia.

É por isso tudo e mais uma infinidade de coisas que pretendo abordar futuramente, que a década de 80 merece todo meu amor, mesmo eu não tendo vivido nela exatamente, já que eu nasci no início dela.

Snake

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