sábado, 21 de janeiro de 2017

SOMOS VÍTIMAS, MAS TAMBÉM ALGOZES.

Acredito que esse questionamento deveria ser feito por cada um de nós de tempos em tempos. Ninguém dá muita atenção a esse tipo de abordagem e ela, quando surge, já vem repleta de preconceitos e verdades prontas. Não nos questionamos se somos vítimas das circunstâncias ou inteiramente responsáveis por elas, apenas aderimos a uma posição ou outra, alternadamente, conforme nos parece conveniente.

Perguntas complexas, respostas simplistas.

Como já abordei diversas vezes aqui no blog, temos uma imensa preguiça de pensar, estamos habituados a nunca questionarmos e quando o fazemos, cuidamos para que seja mantida uma singular superficialidade, tanto nas perguntas quanto nas respostas.

Um claro exemplo sobre esse simplismo e nossa necessidade de perguntas e respostas simples e superficiais é quanto a criminalidade x direitos humanos. Afinal, os criminosos em nossa sociedade são vítimas do sistema em que vivemos, ou são a causa dessa parte dos problemas sociais?
Qualquer pessoa que já tenha, com um mínimo de seriedade, se debruçado sobre esse assunto, sabe que se trata de uma questão de altíssima complexidade. Que a criminalidade e o comportamento delinquente são resultado final de problemas na educação, desigualdade social, cultura consumista, idolatria midiática e popular a criminosos, estruturação social e familiar, etc, etc, etc. Sendo tantos fatores que fomentam e sustentam debates amplos que envolvem todo o mundo e ocupa mentes à décadas. A despeito de toda essa complexidade, em nossa sociedade, nos recusamos terminantemente a aceitar que as respostas são feitas de detalhes e múltiplos fatores e rapidamente, nos vemos envoltos com respostas simples e fáceis: "tem que matar tudo", "bandido bom é bandido morto", "se fosse coisa boa não estaria na cadeia", "só entra nessa vida quem quer" e por aí vai.
Alie a essa preguiça mental e a essa necessidade de simplismo a era da hiper informação e das idéias perecíveis, superficiais e midiáticas e temos uma sociedade que apenas lê ou ouve aquilo que concorda com sua prévia opinião, aceitando todo e qualquer argumento, por mais forçado que seja e ignora-se por completo e até mesmo repudia qualquer questionamento.
Jamais encontraremos nenhuma resposta efetiva para nenhuma questão em nossa sociedade enquanto não aprendermos a fazer as perguntas corretas e, principalmente, querer de fato responde-las.

Não gostamos do mundo como é, mas não queremos muda-lo também.

Vivemos um uma imensa mentira mundialmente divulgada e repetida tantas vezes, que a grande maioria de nós decidiu aceita-la como verdade.
Gostamos da idéia de que vivemos em uma democracia e de que somos nós que escolhe seus representantes no governo, seja municipal, estadual ou federal e que os erros e/ou acertos nessas escolhas é que definem o quão bem ou quão ruim é nossa sociedade a nível nacional, ignorando por completo o fato de escolhermos ENTRE candidatos apresentados a nós, mas nunca QUAIS candidatos serão apresentados. Optamos por continuar a acreditar nessa mentira, ignorando a esse "detalhe" que esconde quem de fato manda em nossa sociedade e os meios que usa para exercer esse controle.
Gostamos da idéia da posse. Adoramos apontar e dizer: "Esse é MEU carro", essa é "MINHA" casa" e por aí vai e escolhemos mais uma vez, ignorar que não pagar os respectivos impostos e taxas faz com que percamos qualquer uma dessas posses para os seus verdadeiros donos.
Gostamos da noção de que somos livres e podemos escolher entre coisas diferentes e optamos, mais uma vez, por ignorar que todas as opções vem das mesmas fontes e pertencem aos mesmos donos.
Reconhecemos que a mídia mente e manipula, mas não deixamos de acompanhar nossa novela ou jogo de futebol televisionado e mentimos para nós mesmos para conseguir acreditar que nossa tv desligada não faria diferença alguma. Sabemos que whatsapp pertence ao Facebook e que seu dono nos monitora e vende nossas informações e intimidades, mas não deixamos de postar toda nossa futilidade para nos sentirmos exclusivos e únicos ao fazermos o mesmo que todos fazem.
Justificativas para nosso comportamento de auto sabotagem existem aos milhares, prontos, mastigados e convincentes, dentro de nossa ignorância e burrice auto imposta. Basta escolher qual a mais confortável, em um pacote pronto, que dispensa qualquer necessidade de raciocínio, questionamento, dúvida ou pesquisa. Assim escolhemos nossos pacotes de verdades descartáveis na enorme prateleira de brindes, não de acordo com nossas dúvidas, mas da praticidade e conveniência contida na oferta.
Odiamos o mundo e a sociedade em que vivemos, mas ainda assim confirmamos, consumimos e tornamos celebridades imbecis que a reafirmam e pioram o tempo todo.

O que mais me assusta não é o fato de imbecis retrógradas, limitados e odiosos como Olavo de Carvalho, Nando Moura e "Mamãe Falei" fazerem sucesso. Não foi a mídia, o sistema ou o governo que lhes deu popularidade e voz. Fomos nós mesmos. Não é o fato de serem tão desprezíveis e limitados que me assusta, mas sim o fato de que eles são na verdade nós mesmos, saídos de nós  e que sua popularidade é reflexo da nossa adesão às suas idéias que... pasmem... são as nossas.


Fabiano "Abafh" Ruiz.

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