quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

A INTERNET É NOSSA NOVA TELEVISÃO.


Era uma vez um mundo dominado pelos jornais impressos e pelas rádios, monopólios de informação que induziam os povos ao erro com suas mentiras e sua certeza de serem os únicos canais comuns de informação, se tornando sinônimos da verdade, por mais mentirosa que fosse. 
Nessa época de "nano informação", pessoas comuns viviam para sobreviver e o privilégio de pensar era restrito a poucos, logo, o de se informar sobre algo além do entorno de seus próprios umbigos também.

Eis que então surge a televisão e sua posterior popularização, levando assim a informação a todos, a universalizando e incluindo no pacote do alcance de suas mentiras, os analfabetos e famintos. Sedentos, mas não por informação e sim por entretenimento, algo que até então também era algo restritivo e exclusividade de poucos.
Mas a televisão carregava em si um problema herdado de seus ancestrais impressos, eram uma via de única mão, de onde toda informação vinha, mas onde nada chegava. Se os antecessores impressos e radiofônicos eram especializados em dominar e controlar pequenas elites pensantes, a televisão vinha para mostrar que o mesmo era possível de forma indiscriminada com a classe baixa, as grandes massas, que se mostravam ainda mais facilmente enganadas e manipuladas, pois nunca tiveram por hábito a contestação, o questionamento.

Interatividade e a solução. Pelo menos deveria ser.

As mentes mais progressistas e questionadoras, os amantes da liberdade e os sonhadores com a igualdade a todos sempre viram no monopólio da informação e na impossibilidade de questionamento dos grandes canais de mídia como uma das principais raízes dos problemas sociais. Tudo seria diferente se nos fosse dada voz, se pudéssemos escolher, comparar e por quê não, gerar informações? O mundo seria outro não é mesmo?
Eis que esse mundo que parece saído de um conto de fantasia, mas pasmem, existiu mesmo, culminou no mundo que temos hoje. Agora temos a internet, a interatividade, as informações transmitidas, debatidas e comentadas em tempo real e o mais importante, agora temos voz. Podemos criar um blog como esse para dizer o que pensamos, podemos ler os blogs de outras pessoas para saber o que pensam e comentar acerca do assunto. Se leitura não é nosso forte, não tem problema, temos serviços de vídeo como o YouTube, onde qualquer um, com qualquer equipamento simples como um celular, é capaz de produzir vídeos de qualidade aceitável ou simplesmente escolher entre os milhares de vídeos de milhares de pessoas sobre o assunto que lhe interessar. 

Essa nova realidade deveria ser quase perfeita, temos tudo que faltou aos povos durante toda sua história, não estamos mais atados aos canais que monopolizam informações e mentiras, temos voz e principalmente, uma gama quase ilimitada de conhecimentos de toda e qualquer área sob uma gama quase tão grande de pontos de vistas diferentes sobre um mesmo assunto. 
Então porque parecemos ainda mais escravizados e ainda mais burros? Como pode a internet, sinônimo de liberdade, interatividade e diversidade se tornar uma ferramenta de idiotização tão ou mais eficaz do que a televisão?


Analfabetos em bibliotecas

O que acontece se levarmos uma pessoa analfabeta ou semi analfabeta para dentro de uma biblioteca?
Aqui está uma analogia bastante fiel ao tempo que vivemos e uma possível e provável resposta aos questionamentos de como chegamos ao estado de alienação e desinformação que vivemos.
Temos hoje o maior e mais completo acervo de cultura e informação que jamais foi imaginado a décadas atras com o advindo da internet. Isso equivale a entrar em uma biblioteca quase infinita com qualquer livro ou trecho de ao alcance de um clique, e nem necessariamente precisamos lê-los, podemos ouvir ou assistir ao tema, narrado, comentado e debatido. Mas do que adianta o maior acervo do mundo para quem não sabe ler, não consegue entender ou mesmo não tem o menor interesse em nada daquilo?
O fato é que não estávamos prontos para nada disso, não temos interesse ou costume com a liberdade e a diversidade. Passamos tanto tempo consumindo informações prontas sem questionar a nada que agora, mesmo dentro da imensa biblioteca, ainda procuramos pelas revistas especializada em banalidades que nos é comum e familiar, cheia de ilustrações, mentiras e sonhos plantados que nos acalmam mostrando um mundo simples, cru e imutável, que não precisamos desvendar ou entender, apenas sobreviver nele.
Somos covardes contumazes, doutrinados a ser assim. Desbravar, conhecer, pensar, questionar, são todas tarefas que exigem dedicação e principalmente coragem, pois nos mostra o quão pequenos e solitários somos. Quantos de nós está pronto para encarar essa verdade? Quantos de nós um dia estará disposto a tanto?
Somos pássaros nascidos em pequenas gaiolas, incapazes de superar o medo de voar e de conhecer o mundo que sempre nos foi mostrado mas inalcançável. Não é arrancar as portas da gaiola, sinônimo de que queiramos ou sejamos capazes de voar.


Fabiano "Abafh" Ruiz 

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