sábado, 17 de dezembro de 2016

ESQUERDA CONTRA ANARQUISTAS???!!! O que diabos está acontecendo?

Costumo dizer com bastante frequência que a onda do "politicamente correto" tem destruído toda a retórica e principalmente a ação das manifestações e dos grupos envolvidos e parece que com o passar do tempo esse problema só vem se intensificando e agravando e agora, passando mesmo dos limites.

Politicamente correto?

Fazer manifestações comportadas, não violar a lei ou a moral e fazer de tudo para que a mídia tenha o mínimo possível de motivos para criminalizar manifestações, como se precisasse de motivos para isso. Protestar sem incomodar, isso é ser "politicamente correto".
A primeira vez que me dei conta do problema foi logo no começo da popularização do movimento/ideia Anonymous, lá pelos idos de 2010/2011. As ações daqueles que se classificavam como Anonymous se espalharam com força pelo mundo todo e aqui no Brasil também e essas ações inspiraram na época o início da onda de protestos pelo país. Naquela época, eu me encantei com toda a filosofia da ideia, principalmente pelos seus princípios e lógica anarquista e como não tinha nenhum conhecimento para participar da frente cyberativista, logo criei meu primeiro blog para divulgar as idéias e ações, participava de todos "twittaços" (odeio esses termos), participava de debates, enfim, fazia tudo que podia para ajudar naquilo que para mim, parecia ser o início de uma revolução capaz de virar o mundo de ponta cabeça, mas vamos deixar os detalhes dessa época para uma outra oportunidade.
Nas manifestações que se iniciaram por volta de 2011, muitas ações diretas de membros ou grupos presentes aconteciam e fora das manifestações, ações diretas como pichações por exemplo, eram bastante comuns. É claro que a mídia rapidamente cuidou de dar todo destaque a essas ações e gastou toda sua munição para criminaliza-las. Foi nessa época que a população conheceu termos como "Black Bloc", vândalos e baderneiros, nada fora do previsível e esperado. O problema foi que todos os anos de alienação e manipulação por parte da mídia se mostraram arraigados nas mentes de todos, mesmo daqueles que sabiam da podridão midiática e dos que estavam lutando por aquele princípio de revolução e as ações diretas começaram, mesmo internamente, serem marginalizadas, evitadas, apontadas e condenadas. Foi dessa forma que toda mobilização foi minada, fragmentada e silenciada, ao ponto de hoje, a Anonymous ter se tornado um reduto de direitistas e reacionários alienados. Ao invés de seguir o exemplo da primavera árabe, não passamos de uma leve brisa.

2013 e o ápice da traição.

Deixando de lado toda distorção que transformou uma mobilização nacional contra abusos do governo em um movimento de manada de idiotas aberto a qualquer fascista safado que falasse contra partidos, 2013 marcou o cúmulo da traição.
O que transformou os atos convocados pelo Movimento Passe Livre contra o aumento de 20 centavos na passagem de ônibus em uma mobilização nacional, em primeiro lugar foi a violenta repressão por parte da polícia militar de Geraldo Alckmin que não polpou sequer jornalistas. Ali, os anarquistas estavam presentes, unidos ao movimento e prontos para a ação e o fez. Vidraças de grandes redes, bancos e símbolos estatais foram atacados e destruídos sem piedade e a polícia encontrou a resistência devida e aquém da merecida. Os adeptos da tática Black Bloc fizeram seu papel atacando pontos e defendendo os manifestantes da polícia fascista para que pudessem fugir, enfim, fes o que nós anarquistas fazemos, resistir e enfrentar.
Não só a resistência anarquista como as ações diretas foram justamente o alvo da mídia para atacar o movimento e quando perceberam que acabaram ajudando a engrossar as manifestações ao invés de suprimi las, foi o que usou para nos qualificar como "um pequeno grupo isolado de vândalos" e atribuir a nós a responsabilidade pelos confrontos e consequentes excessos por parte da polícia.
A mídia conseguiu o impensável, transformou toda a grande massa das manifestações em pamonhas com plaquinhas que cantavam músicas advindas de comerciais de automóvel e outras posturas ridículas que perduram até hoje, REVOLTADOS INOFENSIVOS e facilmente guiados.

A traição vermelha.

Não é segredo e muito menos novidade a existência da aliança quase natural e intuitiva dos movimentos de esquerda e os anarquistas. Historicamente, quase todas as revoluções populares tiveram participação decisiva e vital de anarquistas, principalmente no enfrentamento às forças do estado, remontando uma longa história de parceria que ainda perdura, a despeito dos muitos casos de traição por parte de grupos de esquerda que, quando venciam, rapidamente traíam os anarquistas quando não julgavam mais necessários.

Mas estamos vivendo em um país sem história, que desconhece e despreza seu passado. Estamos vivendo tempos em que a principal semelhança entre a "direita" e a "esquerda" é o seu grau de alienação e seu fundamentalismo ideológico. Isso se tornou evidente e gritante nas últimas manifestações contra a PEC55 e pelo Fora Temer, onde libertários anarquistas e membros do Partido Pirata foram selvagemente atacados e ameaçados por membros do MTST e a UNE, grupos já tão defendidos nas ruas e nas redes por nós anarquistas.

Deixo aqui minha moção de repúdio a essa traição e lembrar a esses que, quando a polícia os ataca selvagemente, é um mascarado,um anarquista, um guerreiro que coloca os obstáculos, devolve as bombas e possibilita que vocês fujam. Fugir quando se enfrenta o estado não é covardia, atacar quem está do mesmo lado que vocês no campo de batalha só faz de vocês TRAIDORES DESPREZÍVEIS.

Abaixo um manifesto na íntegra do Partido Pirata sobre o vergonhoso ocorrido:



NOTA SOBRE AS AGRESSÕES SOFRIDAS PELO BLOCO AUTONOMISTA NO ATO CONTRA A PEC 55 (13/12) EM FORTALEZA-CE
O Partido Pirata manifesta seu repúdio pelas atitudes violentas da “segurança” do MTST, que espancou, perseguiu e ameaçou pessoas pelas ruas de Fortaleza (incluindo um integrante do PIRATAS) fazendo com que pessoas tivessem de ser levadas ao hospital com ferimentos graves. Essas agressões foram apoiadas abertamente pela União Nacional dos Estudantes (UNE), cujo apoio a agressões contra anarquistas e autonomistas já é conhecida pelas pessoas que frequentam manifestações de rua.
Nada do que foi feito pelo MTST contra o bloco autonomista pode ser justificado com qualquer tentativa de apontar “quem começou” com as discussões, devido à desproporcionalidade gritante das ações praticadas pelos autointitulados “donos“ do ato. O que vale para a Polícia Militar vale também para o MTST.
Guilherme Boulos, uma das lideranças do movimento, já expressou publicamente que, nos atos de “seu” movimento e de grupos aliados, não há espaço para certas formas de manifestação embora o próprio MTST se envolva com todo tipo de ação direta em defesa de suas pautas.
Depois de tantas agressões em atos controlados pelo seu movimento e por outras “forças” que compõem a Frente Povo Sem Medo, fica claro que o problema não é com a ação direta, mas com a orientação política de certas pessoas e coletivos e com o fato de não serem cooptáveis para os interesses dos senhores feudais das assembleias.
Ao MTST – Ceará, dizemos: podem tentar manipular a opinião das pessoas. Podem inventar, distorcer e apagar comentários contendo relatos sobre suas agressões. Podem até se fazer de vítimas e escrever notas dignas de um comandante da PM; não importa, vocês nunca poderão esconder o que fizeram.
Não é de hoje que iniciativas e pessoas libertárias encontram grande resistência nos meios ditos de esquerda, estando a origem do conflito muitas vezes na recusa delas em aceitar as práticas que visam controlar, verticalizar, direcionar e cooptar manifestações, coletivos, movimentos e ocupações, dentre outras construções políticas.
Nós do PIRATAS temos a horizontalidade, a colaboratividade e a recusa de todas formas de autoritarismo como nossos princípios mais básicos de atuação. Buscamos sempre eliminar práticas que vão contra isso em nossa organização interna e em nossas atuações, assim como defendemos a legitimidade das ações de outras pessoas e grupos que estejam em harmonia com nossos princípios.
Assim prestamos toda nossa solidariedade às pessoas agredidas não apenas no ato em questão, mas às que enfrentam constantemente agressões verbais e físicas em outras ocasiões; todo tipo de assédio moral e táticas difamatórias e de desinformação, dentre outras coisas, apenas por não se curvarem às autoridades da velha esquerda, aos seus mandamentos divinos e consensos excludentes e fabricados de cima para baixo.
Grupo de Trabalho de Comunicação do Partido Pirata no Brasil



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