sábado, 24 de dezembro de 2016

A MANIPULAÇÃO NOSSA DE CADA DIA- Uma edição de Jornal Nacional.

Dia 23 de Dezembro de 2016, 21:26.
Acabei de assistir a uma edição completa do Jornal Nacional da Rede Globo.

Mas por que isso é tão importante para que eu escreva uma postagem sobre o tema?
A última vez que assisti a esse telejornal e canal foi a cerca de 1 ano. Em minha casa, nenhum canal aberto ou mesmo por assinatura é assistido acerca de 4 ou 5 anos quando decidi não mais colaborar, minimamente que seja, com o monopólio dessas mídias malditas e muito menos expôr minha família à exploração comercial e psicológica empregada por esses canais.

Direto ao ponto.

Escrevo e converso muito sobre o papel da mídia na destruição da nossa sociedade, sobre a manipulação descarada e também na velada, que foi capaz de aparentemente corroer por completo o senso crítico e lógico de seus telespectadores. Essa noção de ação e método, aliada ao tempo sem exposição aos mesmos, me rendeu uma análise fria e ponto a ponto de todo o programa.


Demonização do PT e o "monopólio" da quadrilha judiciária de Curitiba.

Entre as matérias apresentadas pelo jornal, estava uma nada pertinente, que descrevi o final de ano de cada um dos presos pela operação Lava-Jato, levando-se em conta as regras dos estabelecimentos prisionais onde se encontram detidos. Me dei ao trabalho de contar quantos nomes foram citados, foram 26 nomes entre políticos, empresários e ex-parlamentares. Destes vinte e seis nomes, pelo menos a metade, são de políticos filiados a vários partidos, sendo que somente os políticos ligados ao PT tiveram o nome relacionado, inclusive com o cargo que ocupavam. Os demais não. Nenhuma citação, nenhuma menção.
A citação exclusiva de um único partido e a ocultação dos demais passa despercebida por um espectador tradicional ou desavisado. Só percebi a manipulação porque estava atendo e disposto a filtrar toda e qualquer informação Esse é um padrão nos noticiários, em especial da Rede Globo e o efeito a longo prazo é o que vemos: A demonização e monopólio da corrupção por parte do PT, ja que é o único partido citado, fazendo parecer que todos os outros políticos envolvidos, não são filiados a partido algum. Vemos nisso,o uso de uma técnica de controle e manipulação de massa, conhecida por PNL (Programação Neuro Lingüística). Seu uso não é casual, muito pelo contrário, é estudado e empregado deliberadamente com o intuito de manipular massas.
A impressão que fica é a de que a Lava-Jato é a única operação da PF em andamento, que não existe nenhuma outra, quando na verdade não é isso que ocorre. Dá-se a essa operação uma importância exacerbada, ocultando-se investigações muito maiores e de caráter muito mais abrangente. A Lava-Jato tornou-se, assim, uma operação chamariz, que encontra-se sob o holofote da grande mídia e com alvo certo.

Os intervalos.

Com relação aos intervalos na programação da Rede Globo, vemos que a cada 1 (de 2) é apresentada ao telespectador,uma propaganda bem montada, parcial e mentirosa referente a reforma do ensino médio. Algo digno de uma WBrasil ou qualquer outra empresa de publicidade de grande porte.:  Cores fortes, efeitos especiais, alunos e professores sorridentes, meneando a cabeça afirmativamente, surpresos com as "grandes novidades" trazidas pela reforma.  Tudo feito de forma a manipular a opinião pública. Vendendo a idéia de que o novo modelo foi inspirado em países com alto grau de rendimento escolar e proficiência em formação acadêmica. Mais um véu para encobrir informações tendenciosas, incompletas, parciais e, sobretudo, desonestas. 

FGTS e em seguida reforma trabalhista.

A Globo trabalha ativamente, e com força total,  na manipulação empregada neste caso. Em uma jogada complexa e de alto impacto psicológico, tenta convencer a população de que a reforma trabalhista em marcha,  será excelente para o país e para os trabalhadores. Chega a ser aviltante. Vou tentar desmembrar e explicar detalhadamente o processo usado pelo jornal para nos convencer de que perder direitos e dar um passo a mais no sentido de uma verdadeira escravização do trabalhador é uma boa coisa.

  1. Animar o trabalhador com o saque do INSS
O primeiro passo vem em uma reportagem bem completa, com direito a opinião de especialistas contábeis e opinião de trabalhadores aleatórios,  elogiando a medida do governo que possibilitará o saque de contas inativas do INSS a partir de Fevereiro de 2017, sugerindo,  por mais de uma vez,  a poupança tradicional como emprego para o dinheiro sacado, por render mais do que a própria conta de origem. A mensagem é clara, “Corra atras trabalhador, o governo vai liberar um dinheiro extra para você aplicar ou usar em tempos de crise, te ajudando a dar uma aliviada nos problemas”.
Ainda estou tentando entender o que visa o governo com essa medida além de confundir o público com o “bate-assopra” que a situação leva, o trabalhador esquece que está puto com as medidas do governo e fica feliz pela grana extra.

  1. Explicação que PARECE completa sobre a reforma trabalhista.
Agora é a hora de falar sobre a reforma trabalhista.:  O jornal finge tentar parecer imparcial colocando a opinião de um especialista que não é contra as reformas, mas no entanto sugere que as mesmas deveriam ser mais debatidas. Cita o nome de grandes empresários e grupos de apoio às novas medidas. (vários deles) e em seguida citam um único grupo contra (no caso a CUT). Ao apresentar as medidas, reforça por várias vezes que as mesmas não alterarão em praticamente nada as regras já existentes e que as medidas apenas regulamentam o que já acontece na prática, amenizando ainda mais.
Até esse ponto, a impressão clara que fica é a de que o trabalhador nem sentirá as mudanças e que em alguns casos, sua vida vai até melhorar.
Só depois de todo esse processo de preparação e amenização do problema, em uma rápida citação, o jornal revela que o combinado entre patrão e empregado passará a valer mais do que as leis trabalhistas.

É bom aqui deixar um exemplo prático e rápido do que isso significa:  Por lei, todo trabalhador tem direito a 1 mês de férias e ao décimo terceiro, mas digamos que por força da necessidade, você, para ser empregado, acabe aceitando um emprego e assinando um contrato, onde a empresa não se responsabiliza por pagar seu décimo terceiro e nem de dar 1 mês de férias que a lei lhe garante. Se isso for feito hoje, o trabalhador pode processar a empresa e, além de ser indenizado, a empresa será autuada e multada, mas com as novas regras, o que o trabalhador combinou e assinou vale mais que a lei, logo, não há problemas nem punição.
  1. Fazer parecer medidas de primeiro mundo.

Daí então vem o desfecho. É fácil perceber que essa última medida é péssima e sozinha anula praticamente todo e qualquer direito trabalhista, então o jornal trata de amenizar e mostrar que não. Que isso é  de um ponto positivo. Vemos então uma sucessão de especialistas, empresários e , claro, uma comparação com os USA (modelo ideal de vida para 10 entre 10 alienados).Um especialista em direito trabalhista fala positivamente das medidas, de como elas diminuirão os processos trabalhistas que atolam a justiça do trabalho e atrasam os processos e é seguido de outro especialista que, com um sorriso cínico no rosto, aponta que a liberdade de negociação entre empregador e empregado poderá ser muito bem aproveitado e trazer benefícios a ambos os lados.
Por último, o jornal usa o amor sem sentido que o brasileiro tem pelos USA e o modelo vendido de primeiro mundo que o país tem, para apontar que as medidas foram inspiradas em grande parte pelas leis desse governo de primeiro mundo e, um a um, os problemas e as perdas que as medidas trarão são comparadas com a realidade dos direitos trabalhistas americanos, deixando clara a mensagem ao telespectador: “Fique feliz amigo, estamos virando uma cópia dos USA, se eles fazem, esteja certo, é bom e nós faremos também”.


É óbvio que os mais resistentes poderão achar a análise absurda ou fruto da mente de alguém paranoico apenas buscando uma desculpa para justificar sua loucura, mas as técnicas de controle usadas nessa única edição são um padrão usado a anos pela emissora e por suas concorrentes também e são fáceis de detectar, basta um olhar atento.
Tirem suas conclusões por vocês mesmos. Em um dia qualquer, tome um papel e caneta e assistam com atenção a uma edição qualquer do Jornal Nacional da Rede Globo e prestem atenção nos padrões que descrevi, anotem quantas vezes é repetida determinada informação e quantas vezes são omitidas outras.


Revolte-se e, nesse caso, não sustente aqueles que querem acabar com nossa sociedade, não assista nem consuma NADA que venha da grande mídia.

Fabiano "Abafh" Ruiz.

4 comentários :

  1. Achei ótimo! Sua crítica é muito boa mas se não corrigir os erros de português como "polpança tradiconal" e "altuada e multada", só para citar os mais gritantes, não terás a credibilidade merecida! Forte abraço ;)

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    1. Wow, muito obrigado pelo toque Carla, esses erros passaram batido mesmo, vou dar uma conferida e corrigida geral nele.

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  2. Isso ai, infelizmente existe ha tantos anos que o povo esta torcendo pelo bem do seu proprio escravizador... estava comendo meu veneno de cada dia numa pizzaria quando vi so uma parte desse mesmo jornal (ja era demais para mim), sobre os FGTS, o que me da realmente medo é que nem é mais disfarçado, sinceramente essa manipulação é tão obvia, não precisa ser o Kasparov para decifrar essas falcatruas...implementaram a idiocratia... agora tentar achar um restaurante o até uma lanchonete sem TV virou um desafio...

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    1. De fato é isso mesmo.
      Mas o mais triste mesmo são aquelas pessoas que tem consciência de que essas emissoras manipulam e mentem, mas ainda assim, parecem ser reféns de algum tipo de dependência e não param de dar ibope e sustentar elas.

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